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O que Podemos Aprender com o Anime Naruto?

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Naruto é um anime que dispensa apresentações, arrisco em dizer que quase todos nós já tivemos ou temos um amigo que vive nos contando as suas aventuras diante deste grande anime, realço, "grande". Infelizmente quem nunca teve um contacto com o anime, se perde na ideia que "Naruto é Podre" e é apenas mais um anime qualquer. Mas o que ele não sabe é que neste anime podemos encontrar grandes lições de vida, filosofias idênticas à vários pensadores como Thomas Hobbes, Nietzsche e Platão.

Sem mais delongas, vamos começar por analisar o que o anime pode nos ensinar.

1ª Lição - Tu és o Senhor do Teu Destino

Durante a luta com o Neji no EP 62 (Naruto Clássico), o Neji para e questiona ao Naruto quanto ao seu sonho de se tornar um Hokage. Neji diz que é impossível, porque o talento da pessoa é determinado em seu nascimento, ou seja, é predestinado. Ele declara que aqueles que foram escolhidos para ser Hokage já estavam determinados, não importando seus esforços.

"Você não precisa aceitar um destino que não quer."

Essa foi a resposta de Naruto. Naruto acredita que nós somos os senhores do nosso destino, somente as nossas ações determinaram onde estaremos daqui a um, dois, três anos.

2ª Lição - Seja Introspectivo

Esta lição é bem clara no Naruto Clássico, enquanto todo mundo olhava para o Naruto com ódio e certos pais ralhavam seus filhos quando brincavam com ele, ainda existiam pessoas que olhavam para o Naruto além do que ele possuía dentro de si (a raposa das 9 caudas). Esses personagens nos ensinam a tratar as pessoas com empatia e compaixão, não importando o que ela representa à sociedade.

3ª Lição - Nunca Permita que as Críticas de Outrem te Deixem em Baixo

Se existe algo muito notório no anime é essa lição, principalmente no Naruto Clássico. Nesta versão, o menino Naruto com o seu sonho de ser Hokage era muito inferiorizado. Olhavam para ele como se fosse lixo, e quando dizia que vai se tornar Hokage as críticas e ridicularizações vinham de todo o lado. Porém, Naruto não dá à eles o gosto de vê-lo fracassar. Ele realmente percebe o quão difícil é alcançar o seu sonho, mas percebe uma coisa mais importante:

"Mais do que sonhar, tenho que trabalhar e me esforçar pois o mundo está nem aí para mim."


Nesse momento, claramente que já temos a mínima ideia do quanto o anime pode ser proveitoso para nós. Então partimos para as filosofias contidas em Naruto, que, de uma certa forma, são idênticas às filosofias de figuras renomadas.

Eu gosto de pensar que em Naruto não existem vilões, existem filósofos que escolheram uma maneira errada de apresentar ao mundo as suas ideias. Vamos olhar primeiramente para o Uzumaki Nagato (Pain) e depois para o grande Uchiha Madara.

Filosofia de Pain

Pain (Nagato) atende todos os requisitos de um bom vilão (filósofo, hahaha), o que faz dele provavelmente o maior de toda a franquia. Sua concepção a respeito da paz e do ser humano o torna único e assemelha-se a mesma proposta de Thomas Hobbes em sua obra "O Leviatã".

Hobbes afirma que os humanos buscam a guerra e o conflito, pois isso faz parte de sua natureza má. Esse comportamento se deve pelo instinto de autopreservação dos indivíduos. Essa essência é nomeada por Hobbes como "estado natural" do ser humano.

"Não importa o quão trivial seja o motivo, qualquer um pode causar uma guerra. […] O instinto humano busca conflito." - Pain

"Você tem sua justiça e eu tenho a minha. Nós somos ambos homens normais, levados pela vingança sob a máscara de justiça. Mas se há justiça na vingança, então a justiça só trará mais vingança. E isso cria um ciclo de ódio." - Pain

Enquanto Hobbes batiza o instinto conflituoso do homem como estado natural, compreendido através da célebre frase "o homem é o lobo do homem", Pain nomeia esse funcionamento cíclico da humanidade como ciclo de ódio. Uma ação violenta contra o outro desperta o desejo de justiça, que, por conseguinte desperta o desejo de retaliar… E o ciclo continua.

O objectivo de Pain é atingir a paz, mas o ciclo de ódio e o estado natural dos humanos aparentam ser um obstáculo insuperável em seu caminho, certo? Essa questão nos leva à próxima semelhança e desta vez, com a filosofia de Nietzsche…

Dor e Sofrimento

Após perder sua família e amigos, Nagato descobriu a dor e o sofrimento como formas de crescer e amadurecer na vida, e assim passou a se chamar de "Pain" (literalmente "dor", em inglês).

Nesse aspecto seu pensamento se assemelha ao de Friedrich Nietzsche, que diz:

"O sofrimento é necessário para a formação do homem. […] Sem dores não é possível tornar-se guia e educador da humanidade."

E isso é exatamente o que Pain pretende ser. Ele diz que, por ter compreendido o ciclo de ódio e toda a essência conflituosa por trás dos homens, transcendeu a humanidade e se tornou um "deus" que guiará os humanos para a paz, através da dor.

Apenas a dor pode superar o ciclo de ódio. Pain acredita que pode iniciar uma guerra para acabar com todas as guerras: uma que faça o mundo conhecer a dor da perda. O medo da dor fará com que hesitem na sequência do ciclo, impedindo os conflitos e atingindo a paz.

Filosofia de Madara

Eu sou muito fã do Madara, da figura onipotente que ele é e, hoje, vamos entrar bem a fundo nas suas motivações. E descobrir qual é a semelhança entre a sua filosofia e a de Platão.

Primeiramente vamos falar sobre Platão, propriamente o Mito da Caverna. Nessa alegoria, Platão fala sobre a condição em que os seres humanos estão, desde o início de vida, acorrentados no fundo de uma gruta subterrânea, completamente imobilizados e com seu campo visual restrito às imagens projetadas na parede natural que têm diante de si, onde sombras de seres humanos e de objetos movem-se com certa regularidade.

Seu horizonte perceptivo, portanto, limita-se à essa realidade, tida por esses seres humanos como o conjunto de tudo o que existe.

Durante a sua vida ele, Madara, percebeu que a inclinação do homem era só má, o sofrimento assolava a humanidade, as guerras eram constantes e a felicidade estava fora do alcance!

Então ele decidiu criar um mundo perfeito, mas calma aí, o que um mundo perfeito tem a ver com Platão? Diferente de Platão, Madara quis prender a humanidade no Mugen Tsukuyomi que é a técnica ilusória mais poderosa que existe, pois, ele consiste em colocar todo o mundo em um sonho eterno, onde teriam uma só percepção da realidade, ela seria múltipla, individual e moldada de acordo com os sonhos e desejos de cada um. Com isso, ele pretendia extinguir os conflitos e as guerras acabando também com as mortes.

Assim, vemos que a perspectiva da realidade e das projeções, dos mundos "real" e "dos sonhos" conecta Platão e Madara com essência e constituição semelhantes, mas interesses em vias opostas. Enquanto o grego propõe e estimula a saída da caverna e a libertação das ilusões, o anti-herói reconhece apenas na ilusão suprema a solução para a tendência à violência do homem.


E já pra terminar, ainda sobre Pain, através de sua perda, Pain, tirou o aprendizado e reflexão necessária para compreender tudo o que já vimos em sua filosofia.

"Enquanto não conhecer a dor de uma pessoa, não saberá quem ela é. Ainda que a conheça, não poderá compreender." - Pain

No fim de tudo só me resta uma questão: ainda achas que o anime Naruto é podre?

Se a tua resposta for sim, tu és um baka, hahaha.

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